sábado, 19 de março de 2011

2º Domingo da Quaresma

Ano A / Cor: roxo / Leituras: Gn 15,5-12.17-18; Sl 26 (27); Fl 3,17-4,1

“Este é o meu filho amado que muito me agrada. Escutem o que ele diz” (Mt 17,5)

Diácono Milton Restivo
 
A transfiguração de Jesus é uma passagem que se encontra em todos os Evangelhos sinóticos: Lucas 9,28-36, Mateus 17,1-9 e Marcos 9,2-10, mas cada um dos evangelistas sinóticos trabalhou a seu modo a narrativa dentro dos objetivos específicos que lhes era peculiar. A transfiguração de Jesus é o ponto culminante da sua vida pública, assim como o seu batismo é o seu ponto de partida, e sua ascensão aos céus é o seu termo. Pedro se refere a esse glorioso evento na sua segunda carta: “De fato, não tiramos de fábulas complicadas o que lhes ensinamos sobre o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo contrário, falamos porque somos testemunhas oculares da majestade dele. Pois ele recebeu de Deus Pai a honra e a glória, quando uma voz vinda de sua Glória, lhe disse: ‘Este é o meu Filho amado: nele encontro o meu agrado’.” (2Pd 1,16-18)

sábado, 12 de março de 2011

1º Domingo da Quaresma

Ano A / cor: roxo / leituras: Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50 (51); Rm 5,12-19; Mt 4,1-11
 
“Você adorará o Senhor seu Deus, e somente a ele servirá” (Mt 4,10)

Diácono Milton Restivo

A nossa liturgia nos introduz no Tempo da Quaresma. Termina a primeira parte do Tempo Comum que teve início na festa do Batismo do Senhor e se encerrou na terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas. O Tempo da Quaresma é um tempo destinado ao acolhimento do Reino de Deus pregado por Jesus; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, contados, exatamente, quarenta dias.
Nas Sagradas Escrituras o número quarenta indica um tempo necessário para algo novo que vai chegar, ou um tempo que se finda uma geração, ou um tempo para conversão, de mudança de vida e de mentalidade como, por exemplo, os quarenta dias que duraram as águas do dilúvio (Gn 7,4.12.17; 8,6), quarenta dias e quarenta noites que Moisés passa entre as nuvens no cume do monte Sinai para receber as tábuas da Lei (Ex 24,18; 34,28; Dt 9,9.11.18.25; 10,10); quarenta anos de caminhada do povo israelita pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 2,7;0 8,2; 29,4; Js 5,6; Sl 94,10; At 7,36; 13,18); quarenta anos de reinado de Davi em Israel (2Sm 5,4; 1Rs 2,11; 1Cr 29,27), quarenta anos de reinado de Salomão em Israel (1Rs 11,42; 2Cr 9,30); quarenta dias de caminhada de Elias pelo deserto até chegar no monte Horeb, a montanha de Deus ((1Rs 19,8); quarenta dias e quarenta noites que Jesus passou no deserto jejuando em oração e tentado pelo demônio (Mt 4,2; Mc 1,13; Lc 4,2); quarenta dias que Jesus passou entre os apóstolos depois de sua ressurreição e antes de sua ascensão aos céus (At 1,3). Quando alguém errava, para corrigi-lo, a Lei de Moisés determinava que lhe dessem quarenta chicotadas (Dt 25,3) e Paulo afirma que recebeu cinco vezes as quarenta chicotadas menos uma por pregar o Cristo Ressuscitado (2Cor 11,24).

sexta-feira, 11 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011

Tema: Fraternidade e a Vida no Planeta
Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22)

Nesta quarta-feira de Cinzas iniciou-se na Igreja do Brasil a Campanha da Fraternidade, que tem como temática mais uma vez a vida e preservação da natureza. O tema específico da Campanha da Fraternidade aborda a problemática do aquecimento global e as mudanças climáticas que estão sistematicamente assolando as populações, principalmente as mais vulneráveis. A Campanha da Fraternidade tem como Objetivo Geral: Contribuir para o aprofundamento do debate e busca de caminhos de superação dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e seus impactos sobre as condições da vida no planeta.
Para atingir este objetivo, são propostos os seguintes objetivos específicos:

  • Viabilizar meios para a formação da consciência ambiental em relação ao problema do aquecimento global e identificar responsabilidades e implicações éticas.
  • Promover a discussão sobre os problemas ambientais com foco no aquecimento global.
  •  Mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e articular a realidade local e regional com o contexto nacional e planetário.
  •  Trocar experiências e propor caminhos para a superação dos problemas ambientais relacionados ao aquecimento global.
Serão adotadas as seguintes estratégias:
  • Denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global.
  • Propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados em valores que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente.
  • Mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e sociedade para assumirem o protagonismo na construção de alternativas para a superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global.
Portanto, não nos preocuparemos com esta importante temática apenas durante o Tempo da Quaresma, mas procuraremos refletir e agir durante todo o ano. Que nossas reflexões possam nos ajudar a atingir o objetivo da Campanha da Fraternidade em nossa comunidade, e contribuir para mudar a triste perspectiva do aquecimento global e da poluição, segundo nossas possibilidades.

sábado, 5 de março de 2011

IX Domingo do Tempo Comum

Ano A / Cor: verde / Leituras: Dt 11,18.26-28.32; Sl 30 (31); Rm 3,21-25.28; Mt 7,21-27

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino do Céu” (Mt 7,21a)

Diácono Milton Restivo

Moisés foi o libertador do povo israelita da escravidão no Egito e o legislador desse mesmo povo. É atribuída a ele a autoria dos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, resumidamente chamados de “Pentateuco”. A liturgia de hoje evoca uma passagem importante do livro do Deuteronômio, onde Moisés transmite, ao povo no deserto, como se deve buscar a bênção de Deus obedecendo aos seus mandamentos, ou ir de encontro da maldição virando as costas para Yahweh: “Vejam! Hoje eu estou colocando diante de vocês a bênção e a maldição. A bênção se vocês obedecerem aos mandamentos de Yahweh seu Deus, que eu hoje lhes ordeno. A maldição se não obedecerem aos mandamentos de Yahweh, seu Deus, desviando-se do caminho que hoje eu lhes ordeno, para seguir outros deuses que vocês não conheceram”. (Dt 26-27)
Quando ditava os dez mandamentos a Moisés, Yahweh já havia dito: “Não tenha outros deuses diante de mim. Não faça para você ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no céu e na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não se prostre diante desses deuses, nem sirva a eles, porque eu sou Yahweh, seu Deus, sou um Deus ciumento: quando me odeiam, castigo a culpa dos pais nos filhos, netos e bisnetos; mas quando me amam e guardam os meus mandamentos, eu os trato com amor por mil gerações”. (Ex 20,3-6)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

VIII Domingo do Tempo Comum

Ano: A / cor: verde / Leituras: Is 49,14-15; Sl 61 (62); 1Cor 4,1-5; Mt 6,24-34

“Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno?... Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti” (Is 49,15)

Diácono Milton Restivo

A presença do profeta Isaias é uma constante nas leituras de nossas liturgias, principalmente quando o amor de Deus é colocado em pauta e exaltado. Na primeira leitura desta liturgia Isaias enaltece o amor de mãe que é tão grande e tão bonito que chega a ser comparado, na Bíblia, com o próprio amor de Deus: “Pode a mãe se esquecer do seu nenê, pode ela deixar de ter amor pelo filho de suas entranhas?” (Is 49,15a). Para justificar o sucesso do homem, costuma-se dizer que, por trás de um homem realizado há sempre a figura de uma grande mulher e, com mais definição, quando essa mulher é a mãe. As Sagradas Escrituras nos mostram exemplos disso. O grande profeta e juiz israelita Samuel não teria sido o que foi se não fosse as insistentes orações para ter um filho, de sua mãe, Ana, que era estéril, isto é, não podia ter filhos. A oração de agradecimento a Yahweh de Ana por ter tido um filho, se encontra no primeiro livro de Samuel, 2,1-10. Além de muitos outros exemplos, as Sagradas Escrituras também citam os de Sara, a mulher de Abraão, em favor de seu filho Isaac (cf Gn 21,8-10) e de Rebeca, esposa de Isaac a favor de seu filho Jacó (cf Gn 27).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VII Domingo do Tempo Comum

Ano A / Cor: verde / Leituras: Lv 19,1-2.17-18; Sl 102; 1Cor 3,16-23; Mt 5,38-48

“Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no Céu” (Mt 5,48)

Diácono Milton Restivo

Desde o quarto domingo do Tempo Comum, 30 de janeiro, o Evangelho lido na liturgia aborda os ensinamentos de Jesus proferidos no monte das bem-aventuranças, numa sequência lógica, e assim irá continuar por mais alguns domingos. O sermão da montanha trata dos ensinamentos básicos para o seguimento a Jesus, ou seja, para que os seus discípulos “sejam perfeitos como é perfeito o Pai que está nos céus”. (Mt 5,48). A liturgia de hoje foca essa perfeição e, na primeira leitura, “Yahweh falou a Moisés: ‘Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Yahweh, o Deus de vocês sou santo”. (Lv 19,1) como já havia dito a esse mesmo povo, anteriormente, em outra oportunidade: “E vocês foram santificados e se tornaram santos, porque eu sou santo [...] Eu sou Yahweh, que os tirei do Egito, para ser o Deus de vocês: sejam santos porque eu sou santo” (Lv 11,44.45), e diria mais tarde: “Sejam santos para mim, porque eu, Yahweh, sou santo. Eu separei vocês de todos os povos para que vocês pertençam a mim”. (Lv 20,26)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

VI Domingo do Tempo Comum

Ano A / Cor: verde / Leituras: Eclo 15,16-21; Sl 118 (119); 1Cor 2,6-10; Mt 5,17-37
 
“O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram nem os ouvidos ouviram nem coração algum jamais pressentiu” (1Cor 2,9)

Diácono Milton Restivo

Como temos visto, as primeiras leituras do Tempo Comum é sempre tirada de um dos livros do Antigo Testamento: Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Números. Levítico e Deuteronômio), do livro dos profetas, dos livros chamados históricos e dos livros chamados Sapienciais. A primeira leitura da liturgia de hoje é tirada de um livro sapiencial, o livro do Eclesiástico, que quer dizer “Livro da Igreja” porque, na Igreja primitiva, esse livro era utilizado com frequência para a instrução dos fiéis. O Eclesiástico está relacionado entre os “livros sapienciais” da Bíblia (como o Eclesiastes, com o qual não se confunde, Salmos, Provérbios e outros). Desde os primeiros séculos do Cristianismo até há pouco tempo, o nome mais comum para designar este livro era “Eclesiástico” (do latim “Ecclesiasticus liber”), o que significa o livro da igreja ou da assembléia. O bispo são Cipriano, falecido em 248, parece ter sido o primeiro a usar esse nome, devido ao uso que dele se fazia na Igreja antiga. Este livro também é conhecido como livro de Sirac ou, simplesmente, Sirácida, em relação ao seu autor, Jesus Ben Sirac: “Jesus, filho de Sirac, neto de Eleazar de Jerusalém, gravou neste livro uma instrução de sabedoria e ciência, derramando como chuva a sabedoria do seu coração.” (Eclo 50,27).