domingo, 12 de junho de 2011

Pentecostes

Estamos encerrando o Tempo Pascal, com as festas da Ascensão do Senhor e do Pentecostes. Na dinâmica da Páscoa, celebramos o Cristo crucificado e ressuscitado, presente e vivo na comunidade dos discípulos de Jesus e presente hoje, em nossa comunidade, já que somos nós hoje seus discípulos, seus seguidores. Hoje apagamos o círio pascal, que nos acompanhou durante todo o tempo da Páscoa, como sinal do Cristo crucificado e ressuscitado.
No Pentecostes a Igreja se veste de alegria para celebrar e
implorar a vinda do Espírito Santo e renovar a face da terra, e para que ela seja testemunha viva e verdadeira da presença divina entre nós, através da unidade, em todas as comunidades eclesiais. O aprofundamento do papel e atividade do Espírito Santo na Igreja, na vida pessoal do discípulo cristão e no mundo, ajuda-nos na preparação da Solenidade de Pentecostes. De fato, cada vez mais, a Igreja sente a necessidade de tornar conhecido quem é o Espírito Santo e como ele age na vida eclesial e na vida pessoal de cada batizado que se coloca no caminho do Evangelho, no seguimento de Jesus nos dias de hoje.
O Espírito Santo age na Igreja, na pessoa e no mundo promovendo transformações. É ele que faz passar do caos à ordem, da feiúra à beleza, do ódio ao amor. Não transformação mágica ou imediata, mas transformação que se vai modelando através do cotidiano da vida, temperando a vida do discípulo de Jesus com amor, alegria e paz. Iluminando-se e deixando-se transformar pelo Espírito Santo de Deus, a terra passa do reino do mal para o Reino do Bem, onde a bondade e o valor da vida semeiam mais vida, mais segurança, mais respeito, mais paz. É desse modo que o Espírito Santo de Deus vai modelando nossa existência, iluminando nossas palavras, dirigindo nossos comportamentos, propondo atitudes e semeando serenidade. Como demonstrado através da História da Salvação, o Espírito Santo sempre age para transformar, para fazer da vida humana um caminho de divinização; santificação.
Que o Espírito Santo ilumine nossos corações, nossas mentes, nossas vidas, e nos torne capazes de levar a fé em Jesus Cristo e o seu amor a todas as pessoas do mundo de hoje.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Domingo de Pentecostes

Ano A / cor: vermelho / Leituras: At 2,1-11; Sl 103 (104); 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 20,19-23

“Então apareceram línguas como de fogo que se repartiam e pousavam sobre cada um deles” (At 2,3)

Diácono Milton Restivo

Com o Domingo de Pentecostes encerramos o Tempo Pascal. Quando falamos Pentecostes, obviamente no sentido cristão, vem-nos à mente a vinda do Espírito Santo sobre a igreja nascente, representada pelos Apóstolos e Maria, a mãe de Jesus.
Vale esclarecer que o Espírito Santo se manifestou no dia de uma festa milenar dos judeus, que era de grande alegria para os judeus, comemorada com vários nomes: Festa da Colheita, pois os judeus comemoravam o sucesso de uma grande colheita, “a festa dos primeiros frutos de seus trabalhos de semeadura nos campos” (Ex 23,16). Os primeiros frutos ou grãos colhidos eram oferecidos a Yahweh, no Templo de Jerusalém. Também chamada de festa das Semanas, que era a festa de sete semanas e que tinha o seu início exatamente cinquenta dias depois da Páscoa dos judeus com a colheita da cevada, e o encerramento acontecia com a colheita do trigo: “Conte sete semanas. A partir do momento em que você começar a ceifar as espigas, conte sete semanas. Celebre então a festa das semanas em honra de Yahweh seu Deus.” (Dt 16,9-10a). Também era chamada de festa das Primícias dos Frutos, ou somente das Primícias por ser uma entrega de uma oferta voluntária, a Deus dos primeiros frutos da terra colhidos naquela colheita: “No dia dos primeiros frutos, quando vocês oferecerem a Yahweh uma oblação de frutos novos na festa das Semanas, façam uma assembléia santa e não realizem nenhum trabalho.” (Nm 28,26) Como vemos, Pentecostes era uma festa do antigo calendário bíblico judeu regida pela Lei mosaica (Ex 23,14-17; 34,18-23)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ascensão do Senhor

Ano A / cor: branco / Leituras: At 1,1-11; Sl 46 (47); Ef 1,17-23; Mt 28,16-20
 
“Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20)

Diácono Milton Restivo

Ainda dentro do Tempo Pascal a Igreja comemora a Ascensão do Senhor Jesus aos céus. A primeira leitura é extraída do livro dos Atos dos Apóstolos, aliás, o seu início. Atribui-se a autoria dos Atos dos Apóstolos a Lucas, discípulo de Paulo e médico, como disse o próprio Paulo: “Lucas, o amado médico” (Cl 4,14). As únicas referências, nas Sagradas Escrituras que temos de Lucas, constam das cartas de Paulo: “Lucas, o amado médico” (Cl 4,14); “colaborador” (Fm 1,24); “Somente Lucas está comigo” (2Tm 4,11). Também é atribuído a Lucas o terceiro Evangelho sinótico, onde o Evangelista deixa claro que, em Jesus, Deus visitou o seu povo, quando Jesus chora sobre Jerusalém: “Eles esmagarão você e seus filhos, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio visitá-la.” (Lc 19,44) Os Atos dos Apóstolos retratam o início da história da Igreja e a Era Apostólica. A preocupação de Lucas, neste livro, é retratar a ação do Espírito Santo nas primeiras comunidades cristãs e, por elas, no mundo inteiro. O interessante é que, apesar do nome, este livro não narra os atos de todos os apóstolos, mas se atém somente em Pedro e muito mais em Paulo, sendo que João e Tiago entram apenas como figurantes. O livro dos Atos dos Apóstolos é a continuação ininterrupta do Evangelho de Lucas. Se pegarmos o final do Evangelho segundo Lucas e o início do livro dos Atos dos Apóstolos, veremos isso, ou seja, Lucas começa o livro de Atos dos Apóstolos com o mesmo fato com que havia terminado o seu Evangelho: a ascensão de Jesus Cristo aos céus.

sábado, 28 de maio de 2011

6º Domingo da Páscoa

Ano A / cor: branco / Leituras: At 8,5-8.14-17; Sl 65; 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21

“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (Jo 14,15)

Diácono Milton Restivo

A prisão e morte de Estevão narradas no livro dos Atos dos Apóstolos 6,8 – 7,60, deram início à primeira grande perseguição sofrida pela Igreja de Jesus Cristo: “Naquele dia, desencadeou-se uma grande perseguição contra a igreja de Jerusalém. [...] Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para colocá-los na prisão. E aqueles que se dispersaram iam de um lugar para outro, anunciando a Palavra.” (At 8,1b.3-4)
Com a morte de Estevão a Igreja passa por um período de sofrimento e perseguição. Com o martírio de Estevão as autoridades judaicas tentaram, de uma vez por todas, acabar com os seguidores do Ressuscitado, caçando e matando a todos, tanto mulheres como homens, que criam em Jesus Cristo.O sangue dos mártires é a semente da Igreja”, diria mais tarde Tertuliano (155-222)
Fato inédito e grande paradoxo: ao invés de a perseguição calar os seguidores do Ressuscitado e abafar o Evangelho, acabou fazendo com que o Evangelho saísse de Jerusalém e se espalhasse por outras regiões onde se refugiavam os discípulos e se difundisse cada vez mais e com mais ardor. É o Espírito Santo que assim força a Igreja a sair de seu estreito círculo original, a fim de anunciar o Evangelho “... em toda Judéia e Samaria, e até os extremos da terra.” (At 1,8b)

sábado, 21 de maio de 2011

5º Domingo da Páscoa

Ano A / cor: branco / Leituras: At 6,1-7; Sl 32; 1Pd 2,4-9; Jo 14,1-12
“Não fique perturbado o coração de vocês” (Jo 14,1)

Diácono Milton Restivo

A primeira leitura deste 5º Domingo da Páscoa reporta-nos à Igreja primitiva, nos seus primeiros dias, quando “o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário”. (At 6,1). Vemos que, em Jerusalém, não era somente judeus que haviam se convertido para a Igreja do Caminho, mas, também, fiéis de origem grega aderiram aos ensinamentos do Divino Mestre. As pessoas carentes por parte dos judeus tinham atendimento preferencial por parte da comunidade, enquanto que os necessitados de origem grega eram negligenciados e, por isso, reclamaram. Para serem encarregados dessa tarefa foram escolhidos sete homens, todos de origem grega, “de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria” (At 6,3)

domingo, 15 de maio de 2011

4º Domingo da Páscoa

Ano A / Cor: branco / Leituras: At 2,14.36-41; Sl 22; 1Pd 2,20-25; Jo 10,1-10

“... Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10,7b)

Diácono Milton Restivo

Este 4º Domingo da Páscoa é chamado de o Domingo do Bom Pastor, mas hoje poderíamos chamar este domingo de “Domingo da Porta das ovelhas”. Por interessante que possa parecer, o foco da leitura do Evangelho não se prende ao Bom Pastor, embora Jesus estivesse falando dele, e nem é usado esse termo em toda a leitura evangélica, e sim somente se referindo ao seu adversário, o ladrão, o assaltante, o mercenário, referenciados nas autoridades religiosas judaicas do tempo de Jesus e em todos aqueles que se arvoram autoridades em religião e ou teologia, os falsos profetas que, através de seus ensinamentos dúbios, buscam persuadir as ovelhas e arrebatá-las do Bom Pastor. Quando Jesus fala de ladrão, assaltante e mercenário, refere-se às autoridades religiosas judaicas do seu tempo que dificultavam o arrebanhamento das ovelhas e incitavam o povo contra Jesus ameaçando-o de prisão e até apedrejamento (cf Jo 10,31-33.39), culminando com a sua morte de cruz.

domingo, 8 de maio de 2011

3º Domingo da Páscoa

Ano A / cor: branco / leituras: At 2,14.22-23; Sl 15; 1Pd 1,17,21; Lc 24,13-35

“Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” (Lc 24, 29)

Diácono Milton Restivo

Era um primeiro dia da semana, portanto, entende-se como sendo um domingo. Na sexta-feira anterior havia acontecido coisas terríveis em Jerusalém. As autoridades haviam julgado, condenado e mandado crucificar a Jesus de Nazaré. Naquele primeiro dia da semana, domingo, no terceiro dia após a crucificação e morte de Jesus, piedosas mulheres que seguiram a Jesus por toda a parte a partir da Galiléia durante sua peregrinação transmitindo a Boa Nova a todas as gentes, ainda de madrugada, se dirigiram ao sepulcro onde tinha sido colocado o corpo sem vida do Divino Mestre, levando os aromas que tinham preparado para embalsamá-lo. Ao lá chegarem, surpresa... O corpo de Jesus não estava mais no sepulcro; a pedra que fechava a entrada do túmulo havia sido removida e o túmulo estava vazio: “Mas ao entrar não encontraram o corpo do Senhor Jesus.” (Lc 24,3). Voltaram correndo até onde estavam reunidos os amedrontados apóstolos e discípulos e narraram-lhes o ocorrido, mas, porque eram mulheres, não foram levadas a sério: “... essas palavras, porém, pareceram desvario, e não lhes deram crédito.” (Lc 24,11)